terça-feira, 8 de março de 2011


" Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes. "

António Gedeão, Movimento Perpétuo (1956)

1 comentário:

  1. Tudo se vê consoante o modo como queiramos olhar para as coisas, o poeta sabia.
    ''Eles não sabem que o sonho. é uma constante da vida. tão concreta e definida. como outra coisa qualquer,. como esta pedra cinzenta...''
    (António Gedeão)

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